PISA 2025: o Brasil avançou, mas ainda temos muito a avançar
Comunicado aos gestores das escolas particulares de Pernambuco
A divulgação dos resultados do PISA 2025, realizada nesta terça-feira, 8 de setembro, oferece mais uma oportunidade para refletirmos sobre a qualidade da educação brasileira.
O PISA — Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, coordenado pela OCDE — avalia estudantes de 15 anos em diferentes países e procura verificar não apenas o que eles sabem, mas principalmente sua capacidade de utilizar conhecimentos para enfrentar situações e problemas da vida real.
Nesta edição, participaram 91 países e economias. No Brasil, foram avaliados 30.140 estudantes de 1.053 escolas, representando aproximadamente 2,18 milhões de jovens de 15 anos. A OCDE considera que os dados brasileiros atenderam aos seus padrões de qualidade e são adequados para divulgação.
1. O que os resultados mostram
Os resultados médios do Brasil foram:
● Ciências: 409 pontos
● Matemática: 408 pontos
● Leitura: 377 pontos
Em todas as três áreas, o desempenho brasileiro ficou abaixo da média dos países da OCDE.
Há um dado particularmente importante: os resultados de 2025 foram, em termos estatísticos, praticamente os mesmos de 2022 nas três áreas.
Mais do que isso, a OCDE observa que essa estabilidade se prolonga por mais de uma década. Desde 2015, os resultados brasileiros permanecem próximos do mesmo patamar em Matemática, Leitura e Ciências.
Esse dado merece atenção.
Não significa que nada tenha mudado na educação brasileira ao longo desse período. Houve expansão do acesso, mudanças curriculares, novas políticas educacionais, maior preocupação com avaliação e aprendizagem e avanços importantes em diferentes redes e escolas.
Mas significa que esses esforços ainda não foram suficientes para produzir uma mudança consistente no desempenho médio dos estudantes brasileiros no PISA.
E essa talvez seja a principal mensagem desta edição: nem euforia, nem pessimismo.
O PISA 2025 nos coloca diante de uma situação mais complexa: houve avanços na educação brasileira, mas eles ainda não se traduziram em um crescimento qualitativo suficientemente forte e sustentado da aprendizagem.
Os números ajudam a compreender a dimensão do desafio.
Em Matemática, apenas 28% dos estudantes brasileiros alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência, considerado pela OCDE o patamar mínimo de domínio para lidar com determinadas situações matemáticas de maneira funcional. Nos países da OCDE, essa proporção é de 65%.
Em Leitura, cerca de 49% dos estudantes brasileiros alcançaram o nível 2 ou superior, contra 69% na média da OCDE.
Em Ciências, esse percentual ficou em aproximadamente 48%, enquanto a média da OCDE chegou a 74%.
Também chama atenção a pequena parcela de estudantes brasileiros nos níveis mais elevados de desempenho. Em Ciências, apenas cerca de 1% alcançou os níveis 5 ou 6; em Leitura, também cerca de 1%; e, em Matemática, praticamente nenhum estudante brasileiro chegou aos níveis 5 ou 6.
Esses dados dizem respeito ao sistema educacional brasileiro como um todo. Não permitem, por si mesmos, explicar as razões de cada resultado nem devem ser utilizados para estabelecer uma relação automática entre desempenho e qualidade de uma escola específica.
Mas oferecem um diagnóstico que não podemos ignorar.
2. E o que isso significa para a escola privada?
A escola particular não pode olhar para esses resultados apenas como um diagnóstico da escola pública ou das políticas educacionais do Estado.
A educação brasileira é um sistema amplo, formado por diferentes redes, escolas e realidades. A escola privada apresenta, em geral, resultados superiores aos da média nacional, mas isso não significa que esteja dispensada de fazer sua própria reflexão.
Qualidade educacional não é apenas estar acima da média. É produzir aprendizagem consistente, ampliar oportunidades, formar estudantes capazes de pensar, interpretar, resolver problemas, argumentar e utilizar o conhecimento em situações novas.
Por isso, o PISA também interpela nossas escolas.
Precisamos continuar perguntando se nossos estudantes estão efetivamente aprendendo; se a leitura ultrapassa a decodificação e chega à compreensão crítica; se a Matemática é compreendida para além da aplicação mecânica de procedimentos; se as Ciências ajudam o estudante a interpretar fenômenos e evidências; e se a escola está preparando jovens para lidar com um mundo em que informação, tecnologia e inteligência artificial modificam rapidamente a maneira como aprendemos e trabalhamos.
Não se trata, entretanto, de transformar o PISA em currículo escolar, mas de compreender o que ele nos revela sobre aprendizagem.
3. Uma leitura histórica é indispensável
Talvez seja essa a perspectiva mais importante que os resultados de 2025 nos oferecem.
A educação brasileira não está exatamente onde estava há décadas. Houve conquistas importantes. O acesso à escola aumentou, a escolarização se expandiu, políticas de avaliação foram consolidadas e muitas escolas públicas e privadas desenvolveram experiências pedagógicas de reconhecida qualidade. Mas ainda não conseguimos transformar esses avanços em uma elevação suficientemente consistente dos resultados de aprendizagem em escala nacional.
O PISA 2025, portanto, não deve ser recebido como uma condenação da educação brasileira. Tampouco como motivo para comemoração.
Deve ser recebido como um alerta sereno e responsável.
Precisamos reconhecer aquilo que construímos, mas também ter coragem para admitir aquilo que ainda não conseguimos construir.
4. Para concluir
O PISA é uma fotografia. Não conta toda a história da educação brasileira, mas ajuda a enxergar com alguma nitidez onde estamos.
E a fotografia de 2025 é clara: não estamos parados, mas também não estamos avançando no ritmo e na intensidade necessários.
Para quem vive diariamente a escola, essa constatação deve servir menos para procurar culpados e mais para reafirmar compromissos.
O desafio da educação brasileira não se resolve com uma única política, uma única metodologia, uma nova tecnologia ou uma mudança curricular. Exige continuidade, qualidade da gestão, valorização e formação dos professores, acompanhamento da aprendizagem, participação das famílias e, sobretudo, uma cultura escolar que coloque o aprendizado efetivo dos estudantes no centro de suas decisões.
É nesse sentido que o SINEPE-PE entende que os resultados do PISA 2025 devem ser lidos.
Enfim, reconhecer o que avançamos é uma questão de justiça; reconhecer o quanto ainda precisamos avançar é uma questão de responsabilidade.
SINEPE-PE
DIREÇÃO EXECUTIVA